Livros

20.8.20

Eu deveria estar cansada de tantos livros de romance, mas confesso que eles continuam sendo meu ponto fraco. Coração Vazio veio como uma promoção da Amazon e uma sinopse insinuante: aquela velha história garota encontra garoto, garoto é imaturo demais, garota engravida e some porque ele nunca aceitaria a gravidez. Mas eu gosto de uma boa história clichê, então este nem é o ponto dessa review.

Acho que o que mais me incomodou na coisa toda foi o final apressado. Uma hora eles estavam brigando como gato e rato, com toda aquela tensão sexual acumulada, o dilema "conto-ou-não-conto-que-temos-um-filho-juntos" e do nada o rapaz já está forçando a mocinha a um casamento não consentido, que apesar de não querer, ela não faz nenhum, repito, nenhum esforço para desfazer.

Acho que quando leio um romance que já começa em angst, eu espero que a razão para que os protagonistas não fiquem juntos seja satisfatória, até o climax onde esta razão deixa de ser uma razão e tudo se resolve. Mas o problema aqui é que esse climax não acontece de fato, apenas parece que do nada, o protagonista dá um 180 nas suas convicções pessoais e resolve ir de solteiro cobiçado a noivo neurótico.

Eu não sei. Talvez mais umas poucas vinte páginas e esse desenvolvimento me soasse mais convincente. Ou talvez eu apenas esteja amargurada demais para um romance tão simples.

Talvez esse seja o ponto. É um romance simples. E só. 






21.6.20

Eu poderia começar esta resenha dizendo muitas coisas. Mas a primeira é que este livro é uma armadilha. Uma vez que você o começa, logo nas primeiras páginas, por mais que você não se identifique com o casal principal, você não vai conseguir parar de ler. 

Depois de ler mais alguns Bridgertons, posso afirmar que Daphne não é nem de perto minha favorita. E seu par romântico muito menos. A historia do duque tinha tudo para ser interessante: um homem gago de nascença, que aprende a sofisticação e criar um personagem para viver a vida da nobreza e se vingar do pai. Mas em nenhum momento a autora se aprofunda muito nessa facilidade dele ter se recuperado desta gagueira, ou pior: ela nem é muito utilizada em momentos decisivos, que todos sabem que haveriam de tornar a fala o personagem complicada.

Além disso os motivos dele não querer casar com Daphne são rasos, meio fora de moda, superficiais. Eu gostaria que houvessem razões mais concretas, e também uma reviravolta menos agridoce para o casamento. Nós sabemos que autoras como Julia Quinn escrevem livros com a proposta de final feliz, e tudo bem isso. É isso mesmo que eu busco. Mas as complicações até lá são bem vindas, coisas que não percebi de forma coerente neste livro.





29.4.20


Como tendo a gostar muito de livros e séries que analisam a mente criminosa, pensei que podia dar uma chance a esse livro, e que poderia acabar gostando. Pouco depois descobri que, na verdade, ele é uma fanfic de One Direction reescrita para ser um livro (Crepúsculo feelings), mas de forma alguma isso tira o mérito, se há, desta obra.

Então o que eu devo falar sobre esse livro? Eu admiro a autora por retratar assuntos que dificilmente a sociedade aceita que mulheres falem sobre, como sexualidade, bdsm, relacionamentos abusivos e necessidade feminina de libertação da estrutura patriarcal. Porém, se o livro ganha o leitor pela intensidade da narrativa e os diversos plot twists em relação aos personagens secundários; perde o fôlego ao exagerar nas cenas violentas, que muitas vezes não tem o porquê de acontecer.

Como eu escrevi em "Objetos Cortantes", um livro que fala sobre violência não pode se abster de descrever a violência, porém também não pode cair no erro de retratá-la como algo banal que não existe razão para acontecer. É uma das minhas maiores críticas a série "Game of Thrones" também: se a violência existe na narrativa para sustentar/desenvolver/mudar um personagem, ela funciona; quando ela acontece por acontecer, ou para chocar o expectador, e logo depois é tratada como se não tivesse ocorrido, ela não funciona. E foi essa a sensação desse livro também: ele explora muito bem a violência, mas lá pela metade a banaliza, e tira o prazer que teríamos ao ler tais cenas e tomá-las em um contexto.

Mas e o romance? É um relacionamento abusivo. Simples assim. No fim têm-se uma expectativa de redenção do personagem masculino, mas ela não acontece por completo. Isso porque dá-se a entender que o livro terá continuação (e para quem está se perguntando, a fanfic teve continuação também). Se eu leria a continuação? Sim. Mas com expectativas menores talvez.



28.2.20

Eu acho que tudo que critiquei no último livro deveria ser escrito em um papel para que eu engula e aprenda a não julgar um autor por um único livro.

Porque este é muito, mas muito bom.

Eu já estava animada pelo fato de que a Anitta no primeiro livro havia sido minha personagem favorita, muito devido a perfeição da Abriela ser meio irritante, e porque eu acabava me identificando mais do que devia com a Alessa. Então a Anitta era o personagem carismático e diferente que eu podia admirar e ficar curiosa sobre onde iria chegar. Quando li que o segundo livro seria sobre ela, fiquei ainda mais animada (e meio aborrecida) para terminar logo o primeiro livro e ler sobre sua história.

Como a autora promete, talvez esse livro seja infinitamente mais pesado e difícil de se ler do que o primeiro. As cenas de violência são mais presentes e você percebe a boa escrita delas quando se vê dentro das cenas, e quase consegue sentir a tensão no ar em volta de você. Isso é o que a autora consegue fazer, desde as primeiras páginas, e te conduz lindamente durante toda a história sem perder a mão ou te desanimar, nenhuma vez. Se no outro livro eu achei que o casal ficou junto cedo demais, neste eu não aguentava mais a hora de ver os meus dois bonitinhos juntos, o que deixava claro o quão fisgada eu estava naquilo tudo.

De certo modo, Nana Simons consegue te capturar muito devido a algo que sempre ouvi sobre a escrita de romances. Você deve apresentar ao leitor uma razão bem convincente para o casal não estar junto, porque se esta razão falta, e eles continuam separados, o leitor pode aos poucos perder o interesse. E apesar de problemas não faltarem na vida desses protagonistas, você vê o amor florescendo bem devagar, quase como se estivesse acontecendo na vida real mesmo.

Eu fiquei tão encantada que confesso que li esse livro em meras sete horas. Virei a noite. Sério. Quando vi era de manhã e o mero capitulozinho que ia ler antes de dormir se transformou em uma noite virada lendo um ótimo romance. O que apenas me leva a dizer que aí vamos nós para o próximo livro da autora. 





27.2.20

Lá volto eu com mais um romance violento, porque aparentemente é só isso que eu sei ler. Mas prometi pra mim mesma e pra minha psicóloga que ia parar de me julgar então vou continuar lendo sim. Qualquer coisa mudo o nome deste blog de resenhas para "Coisas Cafonas que a Lizzie Gosta de Ler" e continuamos tocando o barco.

Tive muita dificuldade de terminar o livro. Começar foi um delírio imensurável, a trama toda de famiglia italiana sempre me cativou, e eu sempre digo aqui o quanto tenho uma queda gigantesca por personagens masculinos agressivos e autoritários com uma pitada de alma torturada. Então só pelo título, este livro em si era um prato cheio, e a sinopse só veio para coroar algo que eu sabia que acabaria lendo mais cedo ou mais tarde.

E foi tudo incrível. A autora tem uma capacidade enorme de te envolver e parece ter pesquisado bastante sobre a máfia e sua história, porque tudo tinha um quê de autenticidade muito bem escrita. As cenas sobre o passado do protagonista e o porquê de sua personalidade agressiva e, de certa forma, suicida são tão bonitas que dão vontade de emoldurar. O único problema para mim foi que o casal fica junto (e bem) antes do final do livro, e o hiato entre este ato e o fim em si é um tanto quanto cansativo, porque o tempo todo eu só ficava pensando:  anda! quero agora ler sobre a outra irmã! já sei tudo sobre essa! Mas isso deve falar mais da minha ansiedade do que qualquer outra coisa.

Não foi uma leitura desgostosa. E é por isso que eu até já comecei a ler a continuação. Mas talvez pela protagonista em si já não ser o personagem que mais me cativou, eu talvez tenha ficado um pouco sem paciência, já sabendo que o próximo livro era sobre a irmã dela, que tem uma personalidade um tanto quanto mais atraente na leitura. Um bom livro, de rápida e fluida leitura, que vale a pena ser lido, e que, como tantos outros aqui, saiu do wattpad de uma autora brasileira. O que torna tudo ainda mais legal.





21.11.19

Lá vou eu pra mais um livro de romance, mas desta vez fui direto para uma trilogia, tamanha minha vontade de andar lendo uns bons romances. Eu escolhi este por ser parte do sistema da Amazon PRIME, que eu já assino, o que tornou a leitura mais tranquila por poder ler no meu kindle. A história é um bom clichê, homem fechado para relacionamentos mas que não pode evitar cuidar da garota que encontra, garota mais nova que se mete em problemas e apesar de tentar ser independente precisa da ajuda do homem. Talvez este livro tenha alguns atrativos meio óbvios para mim, como a diferença de idade, a possessividade entre os personagens, e a coragem de não jogar numa área fácil do romance, se permitindo descrever uma parte não tão bonita na vida, onde ocorrem traumas e coisas difíceis.

Mas o romance também peca em alguns aspectos. Dominic é um personagem um tanto quanto raso de vez em quando, por ser sempre descrito como um homem extremamente correto e sem defeitos. É até uma piada interna do próprio livro o quanto todas as mulheres que o conhecem tem uma queda por ele, já que ele é perfeito. Isso me incomodou um pouco lendo. Eu sempre digo que eu não tenho lá muita moral para reclamar das coisas, porque tendo a gostar de ler relacionamentos disfuncionais, problemáticos, e com personagens masculinos possessivos e cheios de erros. Então a perfeição de Dominic me irritou um pouco, o que foi remediado no resto da trilogia já que os outros dois personagens são mais equilibrados.

Fora isso, é uma boa leitura. Tenho um pouco de problema com o apelido de Dominic para Luna, seu par romântico. Ele vive repetindo em quase todas as falas "bebê", acho que para enfatizar a diferença de idade entre eles, mas isso se torna um pouco chato com o tempo. Mas não posso negar, levei dois dias lendo o livro, o que indica que ele tem algumas qualidades inegáveis, e por fim, é um bom romance de estreia para a trilogia - apesar de, bem de longe, ser o pior dos três.



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